Receita do Cotidiano, Espete o coração Arranque a carne com os dentes Não ligue para o sangue escorrendo pela boca Torça dois metros de intestino Esprema o conteúdo para fora Trance-os e, no final, amarre-os decididamente Lubrifique os neurônios com a língua Lamba os lóbulos, depois massageie com os dedos Cuidado para não deixar o conteúdo cair para fora Fure, cuidadosamente, a traqueia Entre seis a oito furos Coloque dois copos d'água através deles Verifique o borbulhar dela no pulmão fervilhante Roa antebraços, braços e pulsos Não tema os dentes deslizarem pelos ossos Verifique a consistência dessas peças As pernas, ofereça aos chacais Uma vez preparado o prato Deixe-o sobre o asfalto de duas a quatro horas Dê preferência para o período entre onze e quinze horas Assim está o prato pronto, pelo cotidiano
Renovadora,
De seres capazes de retirar vidas, secar fontes e escurecer aquarelas. Você foi um daqueles que renovou minha água Soprou o ar da vida nos meus pulmões Iluminou meu coração
Revirou o sótão interior e no garimpo encontrou coisas puras
Aquilo que achas-te em mim não me pertence
Pertence aquela que encontrou na terra, a gema Que cativou o solo seco E permitiu as flores brotarem
Ninfa que despertou a direção da marcha e coloriu a paisagem
Por isso o que te ofereço é somente o que é seu.