domingo, 25 de março de 2012

Contrapondo...



Decifra-me como os enigmas da esfinge
Devora-me com a ânsia de quimera
Decifra-me os segredos ditos ao vento
Coma-me por dentro, por fora
Em cima ou por de baixo
Decifra-me por Freud
Decifra-me  por engenharia reversa
Congele minha vida por fotografias
Sancione o que se é proibido
Para que nada nos impeça de realizar
O que já não é ilícito
Decifra-me Ulisses
Disseque meu ser, meu cérebro e esqueleto
Transborde meus sonhos
Realize minuetos  de ode
Réquiens para a vida
Mostre-me o quanto sou incompreensível
Decifra-me o genoma das idéias sem par
Coisas impares e primas companheiras
Integre a somatória de Riemann para cada partícula de luz
Que em outrem e outrora nada seria sem a tua companhia.
E por mais que tenham se passado,
Para andar nas incertezas do futuro só com você ao meu lado!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Feitores-Eus, Feitores Seus

Correndo em volta,
por mais que eles tentem
retornam ao Feitor.

Verdadeiramente adoram esticarem-se
enquanto são alvo de chicotadas
A gemerem entre os sucessivos becos
Ensaguentarem o tecido da alma
Desmoronam-se em lamurias grupais

Fechar a dolorosa boca
Lavar a roupa da alma
Cessar o masoquismo

É o que tentam

Livrar-se dos prazeres doloridos
De degustar as emoções variadas
De descansar nos Pelourinhos da existência

Porém sempre rodam de volta
ao Feitor transcedental

Não sabem que não se evitam os infortúnios da vida

Não vêem a solução,
que é dançar com cada ritmo;
envergar-se de acordo com o vento;
E deslizar entre prazeres e dores;
Nunca olhar, nem sentir demais

Pois a essência das existências é fluídica demais

Por isso retornam ao Feitor impássivel
o Feitor-Eu,
Feitor-Seu.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Poema 5

E vamos continuar, temos

Afinal não podemos parar
Pois o pandeiro e o violão da vida continuam a tinir

Mesmo sem harmonia

Temos que sambar,
no chão de corações estilhaçados

Frevar,
entre o caos da Rio Branco

Rebolar,
em cima da corda bamba dos prazeres

Deslizar,
entre cemitérios de antigas memórias

Desfilar,
entre as famintas hienas

Voar,
nos ventos do futuro

Para que um dia possamos aterrissar num novo coração amado
e dançar no ritmado som dessa dupla harmonia.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tempo




O arranjo exato, perfeito
Tudo em torno do do seu próprio eixo
Sempre marca as suas voltas
Sempre exata

E como cai,
Não sou mais relógio
Sou descompasso
Exato!

E não estou no ritmo...
Estou atrasada?
Ou sera adiantada?
Ou ainda marco o ponto fixo?

É exato?

Que se é,
O que será,
Das nuvens e do vento
To tempo que escoa

Exatamente!

Fluxo, refluxo, empuxo
O que se é sem parâmetros?
As referencias da inexistência?
Com isso, exatamente

Segundos, minutos, horas

O exato momento do tempo preciso.









domingo, 22 de janeiro de 2012

Crepitares alheios?

E o fogo queimou
consumiu tudo, transmutou
e depois sublimou

Assistiu de perto o seu
crepitar transfigurante.

Crepitou lá dentro também

Ele queima aqui dentro? Como?

E vagueou noite a dentro
tentando entender,
mas na verdade
só queria seguir.

As estrelas não eram parecidas,
nem o céu, nem a lua.

Mas de estalos aqui dentro
percebeu em meio a penumbra
trepidas luzes.

Nos arbusto, árvores, na sua frente!
Iam e vinham,
brilhavam e apagavam

Vagueavam as luzes.

Elas eram o reflexo do crepitar interior?

Persegui-os em vão.

Ironia estar sem óculos,
pois nunca saberá se eram luzes de outros fogos
ou o reflexo do crepitar interno.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Desatou





Desatou
Desatou o nó

Cordas, linhas cosidas
enroladas em um emaranhado

Do tipo ninho de rato.
Do tipo não se separa

Difuso

Então desatou
Foi embora
e fiquei

Assisti de janelas sua ida
seu embarque
e ele se foi
com um beijo 
com uma promessa
com um protesto

e eu fiquei olhando pela janela



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sentido


O que não o vemos
Vai andando, se instalando,
Em qualquer lugar
Às vezes não o vemos
Muito menos o sentimos
Ele é mínimo,
Não é um fardo para preocupar-se
Mais nos deixa sem ar,
Por aos poucos
Essas miudezas se unem
Em uma corrente
E vão norteando a nossa vida

Tudo isso por causa  amor!