Nasci com uma dádiva divina,
o que os iluministas chamavam de espírito.
Recebi um daqueles bem sarcástico,
ácido e forte.
Daqueles que a academia adora.
A todo vapor sempre.
Daqueles que devastam toda caatinga resistente
deixando somente o solo seco
e o horizonte nú.
Daqueles difíceis de enganar,
sempre duro e lúcido comigo.
Apesar da saudade sei que nunca mais voltarei
ela me mostrou anos atrás,
estampado no seu muro de pedra.
Nada mas como manhãs na rede,
o cheio do feijão a tarde
e o chá a noite.
O perfume da jasmim trazido pelo vento seco,
ver as folhas caírem amareladas em maio,
o deslumbrante concerto de pássaros ao entardecer.
Daqueles dias em que o calor é tão sólido
que nos deixa paralisado.
Das chuvas de Março
intensas e geladas.
Do pôr do Sol na beira do rio
e das conversas descontraídas sobre o extenso universo mulheril.
Pois a trégua dada por esse espírito acabou para sempre.
A lucidez é constante,
e o deserto que ela abriu
não vejo fim.
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