segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Tinha de ser feito

Fiz o que tinha que ser feito

enfiei a mão e tirei de lá de dentro
um quarto de pulmão,
meio coração
e três metros de intestino.



Sangrei vermelho e transparente
que escorreu até o chão

Deveria escrever algumas páginas,
mas não consigo..

Probabilística estatística por amostragem


Nenhum estudo anterior mostra que o desvio padrão do amor que possuo. É de tolerância de uma única peça. Com probabilidade de 0,99 de te amar. Quantas observações devem ser utilizadas até você entender ?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Silêncio


A imagem vai se esvanecendo na memória

E a cada dia fico mais distante

Do que outrora me aquecia


Não foi abandono

Apenas as águas que os levam

E ver que desapareces no horizonte


Ficando apenas um ponto


O ponto da sutura

O ponto da partida

O ponto do desencontro

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Coringa

Tanto amor guardado
Tanto amor confinado nessa casca

Prometido diversas vezes,
poucas vezes vivenciado


Mas apesar de residir em mim

ele não me pertence,

nem é mais prometido.

Ele não me pertence.

Só reside em mim.


Enquanto não encontro sua dona

vou distribui-lo por aí a fora.

Compartilhando tamanha divindade

Plantando diversos pedaços de divindades

em seres autodenominados secos,

autodenominados duros.


Para poder seguir ao sabor da corrente,

pois nem mesmo essa vida não me pertence

só reside em mim.


E vou florindo jardins gris,

sob maracatus floridos

amortizando as batidas com perfurmes únicos.

Dançando freneticamente ao som dos tambores alheios,

acompanhando as mais diversas melodias.


Rogando a essa Dona que não se magoe
por compartilhar algo seu com os outros.


É porque é tanto que não cabe em mim.

sábado, 1 de outubro de 2011

Saudade

Não é o que está escrito no dicionário,

É a ausência daquilo que nos habita,

O fim do encanto da ilusão feita,

Tempo que anda no sentido contrario,

Despedida indesejada,

A saudade:

Amontoado de sentimentos heterogênicos de polaridades distintas

Que acabam deixando um vazio no ser que o carrega!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cutucadas

Cutuca daqui,

Cutuca dali.

Cutuca-se em resposta,

Cutucado se é então.


Dedos virtuais chovem dos dois lados

Na forma de cutucadas.

Cutuca-se para perturbar,

cutucamo-nos para incomodar.


Cutucamos em silêncio,

cutucamos o silêncio.

Até que num espasmo se ouve:

"oi tudo bem?"

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Poema 4

Queria lhe olhar nos olhos e dizer adeus.
Fazer com a dignidade de poucos,
com o pesar de muitos.
Fazê-lo com o amor do peito,
com a saudade de muitos.

Enigmático como Stoker,
sentir a dor de Byron.
E sensual como Azevedo,
correr pelas suas curvas.

Com o raiar da nova era,
e
sboço um sorriso de Assis.
Então volátil como Morais,
materializo-me em outra.
E da névoa de Stoker,
me ofereço a ela.

Queria lhe olhar nos olhos e dizer tchau.
Mas sou volátil que nem Vinicius,
Da tempestade à brisa suave.

Queria ser sincero e dizer, até mais.