domingo, 10 de julho de 2011

Poema 1

Marcado com a dureza do solo da caatinga
Repleto de árvores retorcidas,
de brejos espinhados e veredas sombrias
constitui o mais íntimo do meu ser.

Não importa quanto verde me cerque,
maravilhas geográficas
ou sorrisos espalhados.
Porque dessa vereda na qual sigo
as cores são desbotadas,
Repleto de sorrisos amarelados
e de uma saudade constante.

Esta última definidora dos homens,
característica do sertanejo.
Desses tantos Zés e Severinos,
que apesar do fogo e espinhos deixados para trás
levam a marca, na pele ou na alma,
dessa coisa que me engendra a escrever.

Amaldiçoados por essa terra mística e hostil,
onde a luta contra o fogo é constante,
adquirimos esse sertão interior.
Repleto de saudade, ódio e esperança
que nos seca e endurece a alma.
A espera de uma chuva de verão
para averdejar esse deserto interior.


                          Edu Ferreira

2 comentários:

  1. Texto de sertanejo marcado, do mundo para dentro!
    Parabéns!

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  2. Muito bom sobrinho parabéns pela sensibilidade poética. Espero que nessa linha não falte coragem e vontade para superar as pedras do caminho. As vezes o vazio é fundamental para se percorrer uma nova estrada. como diz o poeta "Todos estes que aí estão. Atravancando o meu caminho, Eles passarão. Eu passarinho!" Mario Quintana...Forte abraço. namastê

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